domingo, 5 de setembro de 2010

Segurança de Yeda, que cobrava propinas com carro do Palácio, violou dados sigilosos do PT

Retirado do http://rsurgente.opsblog.org/

Sep 4th, 2010 by Marco Aurélio Weissheimer.

Imaginem a seguinte situação: um segurança do presidente Lula é preso por cobrar propinas de empresários de máquinas caça-níqueis, usando carros oficiais do governo para fazer essas cobranças. Além disso, com uma senha especial, ele acessou dados sigilosos de adversários políticos do governo por meio de um sistema de consultas integradas do governo. O país estaria virado num inferno, não é mesmo?

Pois tudo isso está acontecendo no Rio Grande do Sul, com uma diferença. Um silêncio estrondoso e vergonhoso por parte da mídia. O promotor Amílcar Macedo confirmou neste sábado que o sargento César Rodrigues de Carvalho, que trabalhava na segurança da governadora Yeda Crusius (PSDB), no Palácio Piratini, acessou inúmeras vezes o Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança para levantar dados sobre diretórios do Partido dos Trabalhadores (endereços, registros de veículos, nome de pessoas). O sargento, segundo o promotor, também acessou dados sigilosos de um ex-ministro de Estado (seria o ex-ministro da Justiça e atual candidato ao governo gaúcho, Tarso Genro) e de um senador da República. Segundo o promotor, o senador e o ministro não são do mesmo partido, o que indica que se trata ou do senador Pedro Simon (PMDB) ou do senador Sérgio Zambiasi (PTB).

O militar em questão, preso na sexta-feira, ao invés de uma punição, recebeu uma recompensa por parte do governo Yeda: ganhou uma FG 10, uma alta função gratificada, que pertencia a um coronel, transferido da Secretaria da Segurança para a Assembléia. O escândalo é ainda maior e pode envolver altos oficiais da Brigada Militar e alto(a)s funcionário(a)s do governo do Estado.

E o que dizem sobre isso as homepages dos dois principais jornais do Estado?

Rigorosamente nada.

O site do jornal Zero Hora exibe como manchete: “Coligação de Serra vai á Justiça por quebra de sigilo fiscal”.

E não traz nenhuma chamada para o caso do segurança de Yeda.

O site do Correio do Povo também não fala do assunto.

Os dois jornais seguem sem informar à população quanto receberam em publicidade do governo Yeda Crusius, em especial do Banrisul.

E se os dois principais jornais do Estado estão se comportando assim, o que esperar da imprensa do resto do país?

Com esse comportamento, a chamada grande imprensa reafirma que abandonou o jornalismo definitivamente. Há profissionais sérios e muito competentes nestes veículos. Se quiserem continuar a sê-lo, poderão ser obrigados a buscar novos caminhos. Aliás, não estarão perdendo nada. Muito pelo contrário.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Arrogância no pago

Se, as pesquisas para o senado no RS estiverem corretas (SE), com Ana Amélia Lemos (PP) no topo, Germano Riggoto (PMDB) em segundo e Paulo Paim (PT) em terceiro, deflagra-se um importante estudo a ser realizado no imaginário popular e no inconsciente coletivo gaudério.
O gaúcho vangloria-se de sua história, sempre permeada por bravura, com uma auto-suficiência bairrista, de protagonismo, grandeza, como se nada acima do gaúcho existisse. Senhor de sua própria história.
Porém as campanhas para o senado que obtém a preferência farroupilha são justamente as campanhas mais arrogantes, com propagandas que colocam a dependência e a dívida moral que gaúchos tem com seus “senhores”, deixando de ser eles próprios os donos da situação.
Ana Amélia, por exemplo, utiliza um mantra, quer dizer, jingle, que entoa que a gente precisa dela e é dela que a gente precisa, ôôô... Nas suas falas o tom não muda. Fala da política como coisa suja e, íntegra, vai transformar o senado em uma instituição séria, pois “conhece os caminhos do poder”. Explica ainda, aos seus súditos riograndenses, que não conhecem nada de nada, o quanto é experiente, mesmo não fazendo parte daquela sujeira, para representar a plebe ignara gaúcha.
Riggoto brada ao Rio Grande o quanto foi injustiçado e exige a retratação dos gaúchos. Estes, pelo visto, de cabeças baixas concordam com o grande líder.
Em 2006 era para eu ter sido eleito. Vocês cometeram um grave erro e não foram desculpados. Esta será sua última chance! “Meu coração não se engana mais”. Já se enganou uma vez. Vocês queriam tirar o PT e acabaram tirando a mim!
Faltou explicar Riggoto, que você também queria tirar o PT, e não fez nada para frear a Yeda. Pelo contrário: pau no Olívio. Só que menosprezou o Olívio e a militância petista e se equivocou na matemática.
Enquanto isso, Paim aprova projetos pelos aposentados. Luta pela PEC da juventude. Compra briga contra as “flexibilizações” trabalhistas que visam tirar direitos dos trabalhadores. Luta pelo aumento do salário mínimo. Pelo fim do fator previdenciário.
Mas este não serve. Os gaúchos, revolucionários de outrora, apelegaram-se e estão precisando de patrões, de senhores, de guias, pois esfarraparam-se suas fibras.
Mas pensando a fundo, os gaúchos estão corretos agindo assim. Com o caráter que tem o senado, o poder bicameral, o veto da elite, a representação burguesa afina-se mais com as opções arrogantes gaúchas.
Ótima receita para barrar a distribuição de renda, o desenvolvimento, as políticas sociais e a igualdade.
Mantenha-se a ordem, já se diria no pago...